Criadores de The
estão sob a estrutura da Bethesda e Rare e World’s Edge vai para a Activision
Se você passou os últimos anos tentando entender o organograma do Xbox, tenho uma sugestão.
Desista.
Guarde esse tempo para aprender mandarim, montar um motor V8 ou finalmente descobrir como funcionam os menus de Path of Exile. Provavelmente será mais fácil.
A Microsoft continua mexendo profundamente em sua divisão de games e confirmou uma série de mudanças internas que parecem uma rodada de amigo secreto realizada por executivos.
A Obsidian Entertainment passa a ficar sob a estrutura da Bethesda, enquanto Rare e World’s Edge entram no guarda-chuva da Activision.
Sim.
A Obsidian, estúdio que fez Fallout: New Vegas, agora ficará oficialmente mais próxima da empresa dona de Fallout enquanto trabalha justamente em um novo projeto da franquia.
O universo levou dezesseis anos para completar essa piada.
Obsidian e Bethesda: demorou, mas aconteceu
De todas as mudanças anunciadas, colocar a Obsidian sob a Bethesda talvez seja a que faça mais sentido imediatamente.
A Microsoft confirmou que a Obsidian continuará trabalhando em seus projetos atuais, incluindo Grounded, além de participar de um novo projeto de Fallout em colaboração com a Bethesda Game Studios.
Para qualquer pessoa que tenha jogado Fallout: New Vegas, essa frase produz aproximadamente o mesmo efeito de alguém anunciar que os Beatles resolveram ensaiar juntos novamente.
Calma.
Isso não significa automaticamente Fallout: New Vegas 2.
Não coloque o chapéu de cowboy ainda.
A Microsoft falou apenas em um novo projeto de Fallout desenvolvido em colaboração entre as equipes. Pode ser muita coisa, e transformar essa informação em “NEW VEGAS 2 CONFIRMADO” seria exatamente o tipo de coisa que rende thumbnail com três setas vermelhas e alguém fazendo cara de susto.
Mas a aproximação é interessante.
A Obsidian conhece RPG.
A Bethesda conhece RPG.
Uma conhece Fallout.
A outra literalmente é a casa atual de Fallout.
Talvez alguém tenha finalmente olhado para o organograma e pensado:
“Por que diabos esses caras estão em lados diferentes?”
Fallout: New Vegas agora mora com os pais
Existe uma ironia histórica maravilhosa nisso tudo.
Fallout: New Vegas foi desenvolvido pela Obsidian usando tecnologia da Bethesda e publicado pela Bethesda Softworks.
Durante anos, fãs pediram alguma nova colaboração entre os dois estúdios.
Depois a Microsoft comprou a Obsidian.
Depois comprou a Bethesda.
E mesmo assim elas continuaram existindo dentro de estruturas diferentes.
Agora acabou.
A Obsidian está oficialmente debaixo da Bethesda.
É praticamente aquela situação em que duas pessoas passam quinze anos dizendo que deveriam trabalhar juntas e finalmente alguém perde a paciência:
“CHEGA. Vocês vão sentar na mesma mesa.”
Se isso resultar num grande Fallout, ótimo.
Se não resultar, pelo menos teremos quinze anos de discussões em fóruns tentando descobrir de quem foi a culpa.
Tradição também é importante.
Rare agora responde à Activision
Do outro lado do tabuleiro temos uma combinação bem mais curiosa.
A Activision ampliará sua estrutura para incluir Rare e World’s Edge. A World’s Edge é responsável principalmente por Age of Empires, enquanto a Rare continua cuidando de Sea of Thieves.
Rare.
Activision.
Coloque essas duas palavras lado a lado e meu cérebro de jogador dos anos 90 começa a apresentar tela azul.
Estamos falando da empresa que produziu Donkey Kong Country, GoldenEye 007, Perfect Dark, Banjo-Kazooie, Killer Instinct e uma quantidade obscena de clássicos.
Agora ela ficará dentro da mesma estrutura corporativa da empresa conhecida por Call of Duty.
Não significa que amanhã teremos:
Banjo-Kazooie: Modern Warfare III
Embora, admito, eu pagaria para ver Kazooie usando um lança-granadas.
A mudança é administrativa. A Microsoft afirma que quer operar com menos unidades de negócio, aproximando grupos que já trabalham juntos e aproveitando melhor sua estrutura de publicação.
Ou seja, não significa que alguém da Infinity Ward vai entrar no escritório da Rare na segunda-feira e perguntar por que Sea of Thieves ainda não possui killstreak.
Pelo menos espero.
Activision virou síndica de metade do Xbox
O mais impressionante é olhar quanto peso está sendo colocado sobre a Activision.
Além de Rare e World’s Edge, ela também recebeu a missão de montar uma nova equipe dedicada ao próximo Halo, separada do desenvolvimento atual de Call of Duty.
Vamos recapitular.
Activision:
Call of Duty.
Próximo Halo.
Rare.
Sea of Thieves.
World’s Edge.
Age of Empires.
Daqui a pouco Bobby Kotick aparece de volta porque sentiu uma perturbação na Força.
Brincadeiras à parte, fica muito claro que a Microsoft enxerga a Activision como uma estrutura capaz de administrar propriedades enormes, equipes distribuídas e jogos de longo prazo.
Isso não é pouca coisa.
Também aumenta bastante a responsabilidade.
Se der certo, teremos uma organização mais enxuta.
Se der errado, teremos aproximadamente 700 artigos começando com:
“Quem poderia imaginar?”
Rare não vai virar estúdio de Call of Duty
Isso também precisa ficar claro porque a internet funciona na velocidade de uma metralhadora sem recuo.
Rare estar sob a Activision não significa que seus jogos serão transformados em Call of Duty.
A mesma lógica vale para World’s Edge.
Estamos falando principalmente de uma reorganização administrativa e editorial dentro da própria Microsoft.
Os estúdios continuam com seus projetos.
Sea of Thieves continua sendo Sea of Thieves.
Age of Empires continua sendo Age of Empires.
A Obsidian continua trabalhando em seus jogos.
A mudança está em quem supervisiona essas operações dentro daquela gigantesca boneca russa corporativa chamada Microsoft Gaming.
Basicamente:
Você continua fazendo o mesmo trabalho.
Só mudou o nome que aparece três caixas acima de você no PowerPoint.
Quem já trabalhou em empresa grande sentiu uma pequena pontada no peito agora.
O Xbox quer menos caixinhas no organograma
A justificativa oficial é bastante objetiva: a Microsoft quer reduzir o número de unidades de negócio, colocar equipes relacionadas mais próximas e concentrar sua experiência de publicação.
Isso explica também outras decisões anunciadas no mesmo pacote.
Playground Games e Turn 10 estão sendo reunidas numa única estrutura focada em Forza e Fable.
Microsoft Casual Games passa para a King.
Activision ganha Rare e World’s Edge.
Bethesda ganha Obsidian.
É praticamente uma faxina corporativa.
“Essa caixa vai para Bethesda.”
“Essa fica com Activision.”
“Essas duas juntam.”
“Essa ninguém sabe onde colocar.”
“Joga na King.”
Existe lógica financeira nisso.
Quanto mais estruturas separadas existem, mais liderança, administração, recursos humanos, jurídico, marketing e outras funções podem acabar duplicadas.
A parte desconfortável é que “reduzir duplicação” costuma ser uma frase que funcionários não gostam de escutar.
E não por acaso essas mudanças chegaram acompanhadas por mais 268 cortes de cargos dentro da organização Xbox.
Para a Obsidian, pode acabar sendo uma mudança muito interessante
Tirando o lado corporativo da equação, a Obsidian dentro da Bethesda abre algumas possibilidades divertidas.
Estamos falando de um estúdio que construiu sua reputação produzindo RPGs nos quais conversar com alguém pode ser tão importante quanto bater nele.
Pillars of Eternity.
The Outer Worlds.
Avowed.
Fallout: New Vegas.
A Bethesda possui algumas das maiores propriedades ocidentais do gênero.
The Elder Scrolls.
Fallout.
Colocar todo mundo mais perto não garante jogo bom.
Nada garante.
Mas facilita colaboração, compartilhamento de tecnologia, experiência e planejamento.
E aquele novo projeto de Fallout mencionado oficialmente torna a mudança ainda mais interessante.
Se algum executivo tiver bom senso, deve existir uma placa enorme na entrada dizendo:
NÃO PERGUNTAR SOBRE NEW VEGAS 2.
Porque provavelmente o pessoal já não aguenta mais.
E a Rare continua sendo a criatura mais imprevisível do Xbox
A Rare sempre ocupou uma posição curiosa dentro da Microsoft.
É um estúdio carregando uma biblioteca que faria qualquer fã dos anos 90 começar a listar franquias durante meia hora.
Banjo.
Perfect Dark.
Killer Instinct.
Conker.
Viva Piñata.
Jet Force Gemini.
E o que ela resolveu transformar num enorme sucesso moderno?
Um jogo de pirata online em que quatro amigos passam duas horas procurando tesouro e acabam afundando porque um deles resolveu tocar sanfona durante um ataque.
Sea of Thieves tornou-se justamente o tipo de experiência contínua que combina com a experiência operacional que a Activision acumulou administrando jogos gigantes.
Então existe lógica.
Por mais estranho que seja ler “Rare agora está na Activision” sem sentir que caímos numa timeline alternativa.
O Xbox está virando outra coisa
Esse talvez seja o ponto maior.
Durante anos, a Microsoft acumulou estúdios.
Comprou Mojang.
Comprou Obsidian.
Comprou Ninja Theory.
Comprou Playground.
Comprou Bethesda.
Comprou Activision Blizzard King.
Era quase uma promoção de supermercado:
Leve três desenvolvedoras e ganhe uma publisher grátis.
Agora começa a fase oposta.
A empresa está consolidando estruturas, fundindo equipes, transferindo estúdios e diminuindo o número de divisões independentes.
É uma mudança enorme na maneira como o Xbox está organizado.
Se isso resultar em projetos mais eficientes e equipes trabalhando melhor juntas, ótimo.
Mas ainda precisaremos ver como essas identidades vão sobreviver dentro de estruturas cada vez maiores.
Porque Obsidian é Obsidian.
Rare é Rare.
E o pior resultado possível seria colocar estúdios com décadas de personalidade dentro de uma gigantesca máquina corporativa e descobrir alguns anos depois que todo mundo começou a fazer exatamente o mesmo tipo de jogo.
Por enquanto, porém, temos apenas uma nova realidade.
A Obsidian agora mora com a Bethesda.
A Rare mora com a Activision.
E quem estiver tentando desenhar o atual organograma do Xbox provavelmente precisa de três monitores, uma impressora A3 e apoio psicológico.
No ritmo atual, eu só quero saber uma coisa:
quem ficou com a chave do escritório?


