Preservando o visual original e adicionando recursos modernos para o lançamento em 2027
Tem anúncio de jogo novo que me deixa curiosa.
E tem anúncio que abre uma portinha na cabeça e me joga diretamente de volta aos anos 90, quando eu podia passar uma tarde inteira olhando mapas desenhados num caderno, tentando descobrir onde estava aquele baú que tinha esquecido numa dungeon.
Lufia I & II: The Sinistrals Saga pertence à segunda categoria.
A Taito anunciou oficialmente o retorno de Lufia & the Fortress of Doom e Lufia II: Rise of the Sinistrals, dois JRPGs clássicos do Super Nintendo que serão reunidos em uma única coletânea para PC via Steam, PlayStation 5, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2 em 2027. No Ocidente, a publicação ficará por conta da Clear River Games.
E sim.
Eu ouvi mentalmente uma musiquinha de RPG de Super Nintendo assim que vi o anúncio.
Dois JRPGs de uma época maravilhosa
Os dois primeiros Lufia nasceram naquela fase em que o Super Nintendo parecia incapaz de parar de receber RPG bom.
O primeiro jogo, Lufia & the Fortress of Doom, chegou em 1993 e conta a história de um jovem descendente de um herói lendário que precisa enfrentar os Sinistrals, seres malignos que voltaram depois de terem sido selados durante uma antiga batalha.
Já Lufia II: Rise of the Sinistrals, lançado em 1995, faz algo que eu sempre achei muito interessante: ele é uma prequela.
A aventura acompanha Maxim, o herói cuja lenda já conhecemos no primeiro jogo, mostrando sua jornada ao lado de personagens como Selan e Tia e explicando os acontecimentos que levaram à história original.
Ou seja, a ordem de lançamento é uma e a cronologia é outra.
JRPG já estava brincando com nossa cabeça antes de muita série moderna achar isso elegante.
Lufia II era especial até para os padrões da época
O primeiro Lufia tem seu lugar na história, mas acho difícil conversar sobre essa série sem dedicar um carinho especial a Rise of the Sinistrals.
Porque ele fazia algumas coisas muito legais.
Segundo a própria Clear River Games, Lufia II trouxe sistemas como criação de monstros, uma dungeon bônus com estrutura semelhante a um roguelike e calabouços cheios de quebra-cabeças em tempo real, reduzindo a dependência das tradicionais batalhas aleatórias dentro dessas áreas.
Para um RPG de 1995, era bastante coisa.
Tinha combate por turnos, exploração, puzzles, criaturas para criar e aquela vontade muito específica dos JRPGs da época de começar com uma aventurinha simpática e, algumas dezenas de horas depois, estar discutindo destino, sacrifício e o sentido da existência.
Eu sinto falta disso.
Quer dizer, os RPGs continuam fazendo.
Mas naquela época parecia que qualquer cartucho podia destruir emocionalmente uma criança sem nenhum aviso.
A pixel art original será preservada
Uma das melhores notícias é que a Taito não pretende transformar os jogos em alguma reconstrução completamente diferente.
A empresa afirma que a pixel art original será preservada, enquanto novos recursos serão adicionados para tornar a experiência mais confortável nos sistemas atuais.
Ainda não foram detalhadas todas essas funções modernas.
Por enquanto, a descrição oficial fala em melhorias de jogabilidade e novos recursos, então ainda teremos que esperar para descobrir se isso significa coisas como aceleração, save states, ajustes de encontros ou outras comodidades comuns em relançamentos desse tipo.
E acho ótima essa abordagem.
Eu não preciso que Lufia pareça um RPG feito em 2027.
Quero que pareça Lufia.
Só não quero precisar sofrer exatamente todas as limitações técnicas de 1993 para jogar novamente.
Minha nostalgia tem limites.
O criador voltou aos textos dos dois jogos
Tem ainda uma história muito bonitinha nos bastidores.
Masahide Miyata, game designer da série Lufia, revelou que recebeu a oportunidade de revisar novamente os roteiros dos dois jogos para esta edição.
No lançamento japonês original, limitações de memória do Super Nintendo fizeram com que boa parte dos diálogos fosse escrita principalmente em hiragana. Para a nova versão, Miyata pôde trabalhar novamente nesses textos utilizando kanji.
Ele contou que releu praticamente todas as falas dos dois títulos e admitiu que encontrou diálogos antigos que hoje o deixam até um pouquinho envergonhado.
Eu achei isso adorável.
Imagine reencontrar algo que você escreveu há mais de 25 anos e perceber que milhares de pessoas ainda têm carinho por aqueles personagens.
Maxim, Selan, Tia, Lufia…
Para nós são personagens.
Para quem trabalhou no jogo, deve ser quase como abrir uma caixa cheia de fotografias antigas.
Lufia também chega oficialmente ao PC
A coletânea marcará ainda a chegada dos dois clássicos ao PC, com versão confirmada no Steam. A página já está disponível para ser adicionada à lista de desejos e confirma recursos como conquistas e salvamento na nuvem.
Por outro lado, existe uma notícia não tão legal para nós.
No momento, português brasileiro não aparece entre os idiomas disponíveis. A versão ocidental está listada com japonês, inglês, francês, alemão e espanhol, enquanto outras regiões também recebem chinês e coreano.
Tomara que isso ainda possa mudar até 2027.
Uma série retornando depois de tanto tempo seria uma oportunidade linda para finalmente chegar a mais jogadores brasileiros.
E parece que alguém abriu o cofre dos RPGs de Super Nintendo
O anúncio fica ainda mais interessante quando lembramos que a própria Clear River Games também está trazendo Terranigma de volta às plataformas modernas.
Olha…
Se alguém encontrou uma sala secreta cheia de JRPGs esquecidos dos anos 90, por favor, não fechem a porta.
Pode continuar.
Lufia é exatamente o tipo de série que corre o risco de desaparecer entre gerações porque seus jogos ficaram presos durante muito tempo em hardware antigo. Uma coletânea dessas não serve apenas para quem lembra deles com carinho.
Serve também para colocar os jogos na frente de quem nasceu muitos anos depois.
Lufia I & II: The Sinistrals Saga será lançado em 2027 para PC, PlayStation 5, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2. A data exata e o preço ainda não foram divulgados.
E eu já sei como isso vai terminar.
Vou abrir Lufia só para “dar uma olhadinha”.
Vou ouvir a música.
Vou reconhecer os sprites.
E quando perceber, já passaram quatro horas.
Algumas coisas realmente não mudam.


